Eliana, 45 anos
45 anos... Minha atual idade.
19 anos... Eu era uma menina. Apaixonada pelo meu namorado. Mas com o coração quebrado...
Tinha acabado de perder meu pai para um câncer.
Sabia que tinha que continuar caminhando, mesmo com a dor, com a ferida aberta…
Me casei.
Talvez eu tenha me apressado para isso com a esperança dessa nova etapa tirar um pouco da angústia que tinham sido os últimos anos…
Engravidei após 3 meses de casada.
Ainda era uma menina…
A gravidez foi tranquila. Eu não sabia o que esperar daquilo tudo, pois era a primeira vez. Mas vivi cada minuto com muita intensidade. Curti demais: o primeiro ultrasson, o primeiro chute…
Mas como nem tudo é alegria, um dia me olhei no espelho e vi estrias por toda minha barriga.
Desespero, foi o que senti!
Meu corpo então perfeito,(era magra, ruiva, linda, perfeita!) se destruindo.
Confesso que fiquei muito triste…
Mas sempre fui uma pessoa que não chora pelo leite derramado. O que não se muda, não tem porque ficar chorando.
Veio a crise financeira.
Recém casados, meu marido perdeu o trabalho… contas e mais contas… Decidimos que nosso bebê iria nascer no interior, onde minha mãe morava… eu fui para lá e meu marido ficou em São Paulo.
Outra dor… deixar ele pra trás… eu já tinha perdido tanto com a vida...
Não foi fácil passar os últimos meses de gravidez sem ele. Tinha medo... medo do que estaria por vir... não tinha ideia, mas tinha medo… muitos e todos! Foi difícil! Mas ao mesmo tempo algo me acalmava. Estranho… um ser dentro de mim me chutando... eu gerando uma vida... onde somente eu era responsável por ela. Naquele momento, só precisava de mim…
Hoje sei que mais precisei dele do que ele de mim…
Uma sensação estranha e linda ia crescendo dentro de mim!
Amor gigante!
Mas como amar alguém sem nome e sem rosto?
E tantooooo! Tanto que outra vez batia o medo!
Medo de perder aquele serzinho já tão importante.
Chegado o grande dia!
Nasceu!
Era lindo e tão feinho ao mesmo tempo. E o amor tomou conta de mim. Já o peguei em meu colo e ele procurou pelo meu seio. Eu com dor, (Muita!) o amamentei. Sem ninguém por perto. Acho que nunca experimentei algo tão mágico! Tão prazeroso, tão especial!
O amamentei por 13 meses...
Lucas! Foi o nome dado a ele… E eu nunca mais lembrei de minhas estrias. Ficaram tão pequenas perto da grandeza de ser Mãe. Virou um marco de meu maior momento. O mais puro e mágico...
As carrego com orgulho. Sim com muito!
Se passaram 4 anos…
Eu engravidei novamente. Vivi tudo de forma intensa de novo. Só que com menos medo, mais segura.
Amo estar grávida!
Amo engravidar! Amo dar a luz!
Nasceu minha bela Ana… Com rostinho de anjo! Cabeluda… olhos espertos…. outra vez meu coração se encheu de amor! É engraçado como o amor toma uma forma tao indescritível quando se trata de um filho…
Minha Ana! Sim, minha!
Sempre me via nela… Nas tranças que tentava fazer, (ela sempre detestou cabelo arrumado!) nos vestidos que frustrantemente eu tentava colocar e ela tirava…
Era uma princesa. Mas de shorts!
Linda! Mas de shorts!
A amamentei por 3 anos…
Minha vida deu uma virada radical quando ela tinha 3 meses. Nos mudamos de país. Canadá… Onde moramos até hoje… Ela cresceu aqui.
Linda. Hoje cursa medicina. Se tornou uma menina decidida, forte. Traça uma reta e segue. Um orgulho sem tamanho! Não por ser tão inteligente e determinada, mas pela forca que tem de lutar pelo que acredita!
Ela não muda de opinião por ninguém. Herdou isso de mim.
Hoje é minha melhor amiga. Temos uma relação de paz. Acho que talvez seja mais amiga dela que mãe. Não puxo a orelha. Sempre digo a ela que os erros a fazem mais forte. Que cair dói, mas também ensina. Que nem todos os caminhos são de flores, mas que ela pode levar uma semente e jogar entre as pedras…
Eu a amo tanto!
Com 38 anos engravidei pela terceira vez. Estava numa fase confusa. Tentando ser mãe, mulher, esposa, Eliana, filha, amiga... Acho que falhei com algumas pessoas… Estava perdida… Tentando me encontrar. Nem sei o que procurava... Mas procurava! Se encontrei, até hoje não sei! Mas busquei.
Anthony me trouxe respostas.
Aquietou meu coração… minhas angústias… Me fez ver que o amor que eu não tive em minha infância estava ali. Em cada abraço de um filho meu… em cada sorriso!
Estabilizou minha inquietação.
O amamentei por 3 anos e 5 meses...
Acho que então, somente com 38 anos, eu me encontrei!
Meu casamento ficou mais forte. Ano que vem faremos 25 anos de casados.
Casaria de novo! Com a mesma pessoa, que amo tanto, mas tanto!
Teria os mesmos medos. Caminharia pelos mesmos caminhos que escolhi… Cairia de novo, mil vezes. Por que senão fosse assim, hoje eu não teria uma família tão linda! Tão minha! E tão feliz!
Sim, somos felizes!
Em minha casa tem brigas?
Sim! Mas o amor prevalece. Sempre é mais forte! É maior!
Hoje sei que nasci para ser Mãe. Mas também consigo ser Mulher. Mas somente depois de ser Mãe!

Linda familia
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